quinta-feira, 9 de setembro de 2010

REX

Rex, criado e ilustrado por Watson Portela, é personagem de História-em-Quadrinho do gênero faroeste publicado nas revistas da Editora Grafipar e depois em edição especial de 96 páginas pelos grupos Bico de Pena/Clube dos Quadrinhos, no início da década de 80 do século passado. A inspiração óbvia é o Jonah Hex da DC Comics, mas a melhor notícia ao se ler Rex é descobrir que não é tão ruim quanto aparenta, ao contrário, personagem e história têm sim muito mais virtudes do que defeitos (a primeira virtude, de cara, são os belíssimos desenhos), e em sua concepção busca se diferenciar do cow-boy da DC. Assim como seu modelo estadunidense, Rex tem o rosto deformado – mas não por ponta de punhal em brasa (caso do Jonah Hex), e sim por conseqüência de patada de urso. E pelo visto a deformidade em nosso Rex feriu mais profundamente sua alma do que a vaidade: além do rosto com feições cadavéricas, perdeu totalmente o uso de suas cordas vocais, fazendo com que sofresse conflito existencial e acabasse por abandonar mulher e filhos (sendo que, neste caso, ao menos chegou a tempo de salvá-los das mãos de facínoras). De qualquer forma, Rex está condenado a vagar em solidão através das montanhas geladas, o triste destino dos homens rejeitados pela morte... outra característica que diferencia nosso Rex do Jonah Hex, é que o personagem de Portela carrega consigo, acoplado na mão direita, a pata decepada do urso que havia lhe desfigurado o rosto. Se uma “luva” como esta não é lá muito propícia para se sacar um colt, ou disparar uma winchester, ao menos as afiadas unhas do pobre animal acabam se tornando uma boa alternativa para se lidar com sujeitos folgados. A saga de Rex teve arte de Watson Portela, sendo arte-finalizado por Franco de Rosa e também por Itamar Gonçalves (que chegou a ilustrar algumas páginas inteiras).


2 comentários:

  1. Que bacana! Eu me lembro de ter lido esse gibi quando foi lançado. Eu devia ter uns 11 ou 12 anos na época, e achei os desenhos muito bons e a história não era nada ruim. Provavelmente ainda tenho esse exemplar em algum lugar... Só não sei se a revista do Rex teve continuidade ou se foi lançada apenas essa edição nº1.

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  2. minha opinão sobre o gibi é a mesma que a sua, e lamentamos que tenha ficado somente neste número

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